A Família Como Rede de Apoio Na Assistência Domiciliar a Pacientes Terminais

A assistência domiciliar consiste na modalidade de atenção a saúde desenvolvida no espaço onde se dá o contexto de vida do indivíduo e da família, portanto no âmbito domiciliar e social. Ofertando uma sequência de serviços de saúde multiprofissionais, caracterizado pela presença de profissionais de saúde e parte da estrutura hospitalar no domicilio do paciente. A figura do cuidador responsável é imprescindível para a prática da assistência domiciliar, sendo de responsabilidade deste, gerir os cuidados dos quais o paciente necessita para a evolução/manutenção do quadro clínico.

Essa é uma prática que poderá ser considerada invasiva, analisando que a presença de parte da estrutura hospitalar e da equipe multiprofissional provoca alterações diversas no cotidiano da família. Desta forma, a inserção do assistente social nesta modalidade de atenção a saúde configura-se como uma ampliação no enfoque meramente físico, reconhecendo o contexto domiciliar a partir da dinâmica familiar; suscitando a urgência de uma abordagem teórico instrumental capaz de atribuir um novo sentido ao modelo de atendimento em validação.

Em casos de pacientes terminais a assistência domiciliar não se resume ao atendimento à saúde necessário a manutenção da vida, mas acima de tudo, considera-o como sujeito autônomo, possibilitando a este a dignidade no processo compreendido entre a morte e o morrer. Partindo do princípio de que o importante talvez não seja quando a morte poderá acontecer, mas como vai se transcorrer o processo de morrer, possibilitando a superação dos sofrimentos físicos e emocionais intrínsecos no processo. Segundo Kubler-Ross (2008) há muitas razões de se evitar a morte serenamente, sendo este um momento solitário e mecânico. A possibilidade de um paciente finalizar seus dias no ambiente familiar permite a este um atendimento humanitário, reduzindo o período de adaptação. A autora define quatro estágios pelos quais passam os pacientes terminais durante o processo de morrer, sendo eles: Primeiro Estágio – Negação e isolamento; Segundo Estágio – Raiva; Terceiro Estágio – Barganha; Quarto Estágio – Depressão; e Quinto Estágio – Aceitação.

Alvarez (2001) traz a família para o cerne das discussões acerca da assistência domiciliar, afirmando ser no contexto desta que as decisões de saúde são inicialmente estabelecidas. De acordo com a autora o papel da família no processo de doença é dar suporte e apoio emocional, contribuindo para a recuperação do familiar acometido pela doença. Muitas vezes, essas mesmas pessoas assumem a responsabilidade de dar continuidade na assistência, no que e refere aos cuidados diários e de higiene, quando assumem a função de cuidador responsável. Porém, devem-se considerar as limitações encontradas pela família em aceitar a possibilidade da morte do paciente, muitas vezes em aceitar o próprio processo de adoecimento. A intervenção no contexto familiar consiste na busca do fortalecimento e empoderamento, através do conhecimento de todos os processos do tratamento dispensado, colocando seus anseios e apreensões como sujeitos do serviço ofertado, de modo que gradualmente aceitem a possibilidade da realidade final.

Dentre as ações realizadas pelo assistente social, no âmbito da assistência domiciliar, encontra-se o atendimento e escuta qualificada para a superação dos conflitos estabelecidos no âmbito familiar, provenientes das enfermidades apresentadas pelo paciente. Além de mediar à relação estabelecida entre a equipe multiprofissional e a família.

Contudo, para além do atendimento ofertado ao paciente, a assistência domiciliar necessita compreender a família dentro do serviço ofertado. O atendimento em domicilio possibilita assistir a família durante todos os estágios do processo de morrer, considerando que a vulnerabilidade da família esta diretamente relacionada às reações do paciente e a constante presença da doença provoca conflitos diversos no contexto familiar. Considerando que as necessidades da família são dinâmicas, assim como a realidade, variando desde o principio da doença e permanecerão por algum tempo de formas diversas depois da morte do paciente.

 

Hellen Matos de Oliveira Araujo

Supervisora de Serviço Social da Mederi

Especialista em Trabalho Social com Famílias e Comunidades

Especialista em Medida Sócio-educativa

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